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Uma ação do Projeto de Extensão Oceano sem Bituca - UFC.


Em todo o mundo, a bituca de cigarro (BC) é um dos resíduos sólidos mais encontrados em praias (LOIZIDOU; LOIZIDES; ORTHODOXOU, 2018; SIMEONOVA; CHUTURKOVA; YANEVA, 2017), não sendo diferente nas praias brasileiras (PEDROSA; MOSCHIN; GIORDANO, 2016; SILVA-CAVALCANTE; ARAUJO; COSTA, 2013). Os principais problemas associados à presença de BCs no ambiente marinho são a ingestão de BCs por animais marinhos, com consequente bloqueio do seu sistema gastrointestinal, e a contaminação química do meio ambiente, em decorrência das mais de 5 mil substâncias potencialmente tóxicas presentes nas BCs. Entre essas substâncias podem ser encontrados compostos cancerígenos e mutagênicos, tais como metais pesados e agrotóxicos. Além disso, as BCs também estão relacionadas à problemática dos microplásticos, já que o filtro do cigarro é fabricado com acetato de celulose e, em decorrência do intemperismo desse material, minúsculas fibras plásticas acabam sendo liberadas no ambiente marinho, causando danos à pequenos animais que ingerem essas partículas. Os problemas atribuídos às BCs não ficam restritos apenas aos animais marinhos, mas também aos seres humanos, já que peixes e frutos do mar podem ser contaminados por esses poluentes e acabarem no nosso organismo.

A Praia do Lido, conhecida popularmente por “Praia dos Crush” pelos fortalezenses, corresponde a um trecho da Praia de Iracema e é um dos principais destinos de lazer de jovens. A presença de BCs na areia dessa praia é constante e muito comum de se ver, mesmo a Praia do Lido sendo contemplada com o serviço público de limpeza de praia. Nesse contexto, o projeto de extensão Oceano sem Bituca (OsB), do Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) da Universidade Federal do Ceará (UFC), surgiu em 2019 com a proposta inicial de desenvolver ações de educação e conscientização ambiental, visando a redução do descarte inadequado de BCs na Praia do Lido, Fortaleza, Ceará. O projeto conta com a participação efetiva de alunos e alunas de Ciências Ambientais e de Oceanografia da UFC e, de 2019 para cá, foram realizadas diversas ações ligadas à essa problemática, envolvendo atividades de diagnóstico, divulgação e conscientização, que culminou no trabalho de conclusão de curso “PANORAMA DA POLUIÇÃO POR BITUCAS DE CIGARRO NA PRAIA DO LIDO, FORTALEZA, CEARÁ” (RIBEIRO, 2022), defendido por Guilherme de Melo Ribeiro, Cientista Ambiental formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do Projeto OsB, e orientado pelo Prof. Dr. Michael Barbosa Viana, sendo esta a primeira publicação acadêmica realizada com os dados gerados pelo OsB.

Nos cinco meses de levantamento de dados (entre alta e baixa estação turística), o estudo determinou as quantidades semanais e mensais de BCs na areia da praia (Figura 1). Além disso, realizou-se uma avaliação da eficiência da limpeza pública de praia na retirada de BCs, baseada na quantificação de resíduos antes e depois da realização da limpeza e no nível de degradação das BCs coletadas. Por fim, os pesquisadores realizaram um estudo de percepção ambiental para compreender a relação entre os frequentadores da Praia do Lido e o descarte inadequado de BCs na praia, possibilitando o entendimento das causas desse descarte inadequado.

Figura 1 - Equipe de pesquisadores realizando a coleta de resíduos sólidos e BCs na areia da Praia do Lido/Crush.


Os resultados do diagnóstico feito em uma área de amostragem igual a 941 m² mostraram que as BCs foram os resíduos mais encontrados na Praia do Lido, representando 38% dos resíduos descartados de forma inadequada na areia da praia. Em termos quantitativos, nós encontramos, somente na área de amostragem, 4.137 BCs, que é equivalente a 0,76 BC/m². As BCs superaram até mesmo a quantidade total de plásticos identificados pelos pesquisadores. Como já esperado, as quantidades de resíduos coletados nos finais de semana (FDS) foram maiores que no restante da semana, com um quantitativo 74% maior que as quantidades coletadas nos dias úteis. O conhecimento de tal valor é de grande importância para orientar planos de limpeza pública, já que ajudam na determinação de qual deve ser a intensidade dos esforços de limpeza para uma determinada área da praia durante o FDS.

Além disso, o estudo determinou que a limpeza pública realizada na praia não é eficiente na retirada de BCs. Os percentuais de remoção de BCs pelo maquinário variaram bastante ao longo dos meses mas, surpreendentemente, o resultado desse levantamento mostrou que, em média, o que ocorre é um aumento de 7% na quantidade de BCs na areia após a passagem do maquinário de limpeza. A principal explicação dessa baixa eficiência de remoção decorre do fato de as BCs serem pequenas o suficiente para passarem facilmente pela malha recolhedora de resíduos, além do fato do maquinário revolver a areia quando passa, permitindo que as BCs enterradas na areia sejam retornadas à superfície da areia durante a sua passagem (Figura 2A). Embora as BCs possuam comprimento médio (3,5 cm) maior que a malha do maquinário de limpeza (3,0 cm), seu formato cilíndrico de diâmetro reduzido (0,8 cm) não garante a retenção das BCs e nem de outros resíduos de perfil semelhante (Figuras 2B e 2C).

Figura 2 - (A) Bitucas de cigarro vistas na areia da Praia do Lido após a passagem do maquinário de limpeza; (B) Maquinário de limpeza ou varredeira mecanizada; e (C) malha de de retenção de resíduos do maquinário de limpeza.


Outro dado importante fornecido pelo estudo foi que 52% das BCs encontravam-se em um nível de degradação baixo (ou bastante conservadas em relação à sua condição original), indicando que o descarte de BCs na areia é bastante superior à retirada de BCs pelo maquinário e garis. Além disso, as BCs muito degradadas foram as segundas mais coletadas (29%), indicando que, de fato, as BCs se acumulam na areia da praia e acabam se deslocando para a superfície devido ao revolvimento da areia, causado pela passagem do maquinário.

Por meio da aplicação de questionários entre os frequentadores na praia, foi possível identificar que o público ainda desconhece ou não sabe o suficiente sobre os problemas ambientais gerados pelas BCs, além de acreditarem que a limpeza pública realizada na Praia do Lido é eficiente na retirada desse resíduo. Esta percepção pode ser considerada preocupante, já que o estudo provou o contrário. Logo, a falta de percepção dos frequentadores pode acarretar na falsa sensação de que a BC jogada na areia da praia vai ser retirada pelo sistema público de limpeza de praia e, dessa forma, o frequentador pode não se sentir motivado a realizar o descarte adequado da BC, sugerindo que ações de conscientização ambiental devem ser implementadas entre essas pessoas.

Após realizar um complexo diagnóstico da poluição da Praia do Lido por BCs, em 2022 o projeto OsB intensificou as atividades de conscientização ambiental nesta praia, onde os extensionistas vão a campo uma vez por mês (geralmente no FDS), em dois horários (manhã e tarde), para conversar com os frequentadores, com foco nos fumantes, acerca da problemática do descarte incorreto das BCs. Para tornar a conscientização ambiental mais dinâmica e eficaz, são usados materiais visuais com imagens e informações sobre as BCs e é explicada a importância de não descartá-las incorretamente, mostrando também como esse descarte deve ser feito (Figura 3). Além disso, os banhistas são motivados a acompanhar o conteúdo digital produzido e divulgado por meio da conta do OsB na rede social Instagram (@oceanosembituca). Para acompanhar e avaliar a eficiência das ações de conscientização ambiental, a equipe do projeto realiza mensalmente levantamentos quali-quantitativos de BCs e de outros resíduos sólidos e os resultados dessa conscientização têm sido positivos, pois, até o momento, foi constatado 28% de redução da quantidade de BCs encontradas na faixa de areia desde a intensificação das ações de conscientização. Embora seja um percentual relativamente baixo de redução (nossa meta inicial é 60%), esperamos maior efetividade nos próximos meses.

Figura 3 - Equipe do Oceano sem Bituca conscientizando banhistas da Praia do Lido acerca da problemática do descarte inadequado de bitucas de cigarro.


Desde o início do projeto OsB, a ideia é também implantarmos bituqueiras fixas nas praias e distribuir bituqueiras portáteis entre banhistas fumantes, seja por meio da modalidade de empréstimo ou pela doação dessas bituqueiras portáteis. Esse sistema de coleta e descarte é bastante promissor no sentido de reduzir as BCs na areia da praia, mas sua implantação pelo OsB fica limitada, principalmente, pela falta de apoio financeiro. Até já foram feitas algumas tentativas de parceria entre o OsB e empresas da região (inclusive empresas autodeclaradas eco-friendly) mas, aparentemente, esta iniciativa ambiental não está, de fato, nas prioridades ou na agenda desses empreendedores.

Recentemente, o projeto OsB ampliou sua área de atuação para as praias da região metropolitana de Fortaleza. Em 2023, nossas ações de diagnóstico, de conscientização e a proposta da implantação do sistema de bituqueiras deverão contemplar outras praias. Assim, esperamos cada vez mais adeptos no Oceano sem Bituca e nos unirmos cada vez mais por uma causa comum, que é ter um mundo sem bitucas no meio ambiente.


Autores:

- Guilherme de Melo Ribeiro: Bacharel em Ciências Ambientais pela UFC;

- Ingrid Farias Cardozo: Estudante de bacharelado em Ciências Ambientais pela UFC;

- Maria Tayane Martins Mota: Estudante de bacharelado em Ciências Ambientais pela UFC;

- Michael Barbosa Viana: Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais, do Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR)/UFC.



Referências:

LOIZIDOU, Xenia I.; LOIZIDES, Michael I.; ORTHODOXOU, Demetra L. Persistent marine litter: small plastics and cigarette butts remain on beaches after organized beach cleanups. Environmental Monitoring and Assessment, [S.l], v. 190, n. 7, p. 1-10, 20 jun. 2018. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s10661-018- 6798-9. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10661-018-6798-9. Acesso em: 1 jun. 2020.


PEDROSA, Rafael Alves; MOSCHIN, Aurélio; GIORDANO, Fabio. Lixo marinho - Levantamento de resíduos sólidos nas praias de Santos – SP. Unisanta Bioscience, Santos, v. 5, n. 2, p. 176-185, 2016. Disponível em: https://periodicos.unisanta.br/index.php/bio/article/download/440/691. Acesso em: 8 jul. 2021.


RIBEIRO, Guilherme de Melo. Panorama da poluição por bitucas de cigarro na Praia do Lido/Crush, Fortaleza/Ceará. 2022.


SILVA-CAVALCANTI, Jacqueline Santos; ARAUJO, Maria Christina Barbosa; COSTA, Monica Ferreira. Padrões e tendências a médio prazo da contaminação por resíduos sólidos na praia de Boa Viagem, Nordeste do Brasil. Quaternary And Environmental Geosciences, [S.l], v. 4, n. 1-2, p. 17-24, 31 Dez. 2013. Universidade Federal do Paraná. http://dx.doi.org/10.5380/abequa.v4i1-2.25691. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/abequa/article/view/25691/22547. Acesso em: 1 jun. 2020.


SIMEONOVA, Anna; CHUTURKOVA, Rozalina; YANEVA, Velika. Seasonal dynamics of marine litter along the Bulgarian Black Sea coast. Marine Pollution Bulletin, [S.l], v. 119, n. 1, p. 110-118, jun. 2017. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.marpolbul.2017.03.035. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0025326X17302539?via%3Dihub. Acesso em: 1 jan. 2021.


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Seguimos lutando #PorUmMundoSemBitucas =)

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Atualizado: 26 de dez. de 2022

Por Natalia Zafra Goettlicher - 22/12/2022


Atividades MSB realizadas ao longo do ano de 2022:


- Ação na Praia de São Conrado no Rio de Janeiro para os voluntários corporativos da PMI Worldwide: No dia 14/05 foi realizada a primeira ação presencial pós-pandemia COVID-19 em parceria com outras iniciativas como Seu Lixo Meu e Salvemos São Conrado. Ao todo foram contabilizadas aprox. 1.400 bitucas retiradas da areia pelos mais de 50 voluntários presentes.


- Relato Desafio #PorUmMundoSemBitucas por Caroline e Beatriz Manzato:

Assista também em:

https://www.instagram.com/reel/Cc6N2hyFITT/?utm_source=ig_web_copy_link


- Relatos de Ex-fumantes foram publicados com a intenção de mostrar que é possível parar de fumar e perceber benefícios logo após da mudança de comportamento.


1. Janes Rocha:

Assista também em:

https://www.instagram.com/reel/Ch24UumACQw/?utm_source=ig_web_copy_link


2. Mateus Leme em:

Assista também em:

https://www.instagram.com/reel/Ch79WLhJ9Ta/?utm_source=ig_web_copy_link


- Vista #PorUmMundoSemBitucas:

Da esquerda para direita:

- Profa. Claudia Cunha na UFPB e coordenadora do Projeto Mares sem Plástico;

- Mestranda Nirhvna Felipe e Profa. Jacqueline Santos Silva-Cavalcanti na UFRPE;

- Ótavio Ranzini representante do Projeto Bituqueiragem;

- Profa. Maria Christina Araújo na UFRN.

Agradecemos a cada um de vocês pelo apoio ao Mundo SEM Bitucas =)


- Entrevistas e participações do MSB em diferentes mídias sendo representado pela nossa idealizadora Natalia Zafra Goettlicher:


a. 13/08/2022: TV Cultura - Hiperconectados: “Bitucas deveriam existir?”


b. 26/09/2022: TV Globo - Jornal SP1

Foi ao ar uma matéria sobre Bitucas de cigarro e a instalação de coletoras de Bitucas na Avenida Paulista. Eu, Natalia Zafra Goettlicher, tive o prazer de participar representando o Mundo SEM Bitucas :)

Para quem quiser assistir, segue o link do G1. A matéria começa a partir dos aprox. 40 minutos do jornal SP1.

Acesse em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/sp1/video/sp1-edicao-de-segunda-feira-26092022-10967197.ghtml


c. 06/07/2022: Debatendo a Ciência Cidadã no II Workshop da Rede Brasileira de Ciência Cidadã (evento fechado apenas para inscritos).


- Amizade para além da Rede MSB:

Um encontro super especial com a nossa idealizadora, Natalia Zafra Goettlicher, em Olinda (PE) com as professoras Monica da Costa da UFPE e Jaqueline Silva Cavalcanti da UFRPE, que são nossas super apoiadores e parceiras. Amizade que nasceu dentro da Rede #msb 🥰

Da vida acadêmica e virtual para a vida! 💚 Juntas #PorUmMundoSemBitucas


- Blog MSB:

Publicamos um texto da pesquisadora convidada, Nirhvana Felipe, mestranda da UFRPE, chamado "Bitucas de Cigarro: um problema global crescente?".

Acesse em:

https://www.mundosembitucas.com/post/bitucas-de-cigarro-um-problema-global-crescente


- Números Redes Sociais MSB - Dados coletados em 21/12/2022:


  • Instagram: 3.031 seguidores e 1.002 publicações – 87 postagens/ano sendo mais de 01 postagem por semana.

  • Facebook: 4.000 seguidores – 3.900 curtidas

  • Youtube: 53 inscritos

  • Grupo Facebook: 80 membros

  • Grupo WhatsApp: 122 participantes

  • Blog MSB: 01 publicação de uma pesquisadora convidada.


Assim, encerramos nossas atividades neste ano de 2022. Que os bons momentos sejam eternizados na memória! Seguimos juntos #PorUmMundoSemBitucas 👊🚯🚭💚


Sigam nossas redes sociais e nosso canal do Youtube @mundosembitucas =)


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Por Nirhvana Felipe – Bacharel em Ciências Biológicas ênfase em Ambientais (UFPE) e mestranda do Programa de Pós Graduação em Biodiversidade (UFRPE).


Figura 1. Distribuição mundial de artigos publicados sobre a contaminação ambiental por bitucas de cigarro, por meio de: Silva, N. F., Araújo, M. C. B., Silva-Cavalcanti, J. S. (2023). Fonte: Nirhvana Felipe (2022).


Atualmente já possível obter informações sobre os impactos à saúde que os cigarros ocasionam, entretanto, o resíduo deste material (as bitucas de cigarro) ainda é negligenciado. Inicialmente estas bitucas foram criadas com intuito de realizar a filtração como medida de redução de danos, porém além de dar a falsa sensação de segurança, também acarreta o acúmulo deste material em áreas públicas. Regiões com grandes concentrações de pessoas podem apresentar um número mais elevado de bitucas [1], e essa quantidade pode gerar danos para biodiversidade onde este material se encontra de forma irregular.

Por apresentar uma elevada quantidade de bitucas em diversas regiões (principalmente em ambientes marinhos) e ser um contaminante tóxico, as pesquisas em relação a este material estão crescendo cada vez mais. Até junho de 2022, foram identificadas 116 publicações sobre impactos ambientais por bitucas de cigarro [2]. Estas publicações foram extraídas de cinco plataformas eletrônicas: Google Scholar, Scopus, PubMed, ScienceDirect e SpringerLink, com aplicação das palavras-chave cigarette butt e cigarette filter durante as buscas, com coletas de artigos somente em inglês. Sobre a triagem para seleção dos artigos, foram adotados alguns critérios como: (I) retirada dos artigos duplicados; (II) seleção apenas de publicações que se enquadravam com o objetivo e finalidade do estudo (bitucas e seus impactos no meio ambiente); e (III) inclusão somente de artigos, sem incluir anais, resumos de congresso, editoriais e capítulos de livros.

O local com maior número de artigos sobre poluição ambiental por pontas de cigarro foram os Estados Unidos (Figura 1). Além disso, outros 23 países também divulgaram com informações sobre impactos de bitucas no meio ambiente, sendo eles em ordem crescente: Irã, Itália, Brasil, França, Espanha, Malásia, Austrália, Reino Unido, Grécia, Índia, Alemanha, Nigéria, Turquia, México, Taiwan, Chipre, África do Sul, Finlândia, Lituânia, China, Coréia do Sul, Rússia e Nova Zelândia. Somente no Brasil foram publicados 16 artigos onde a maioria das publicações se concentram em áreas costeiras com informações sobre os números de bitucas no Nordeste e Sudeste do país. Outra questão sobre os estudos de impactos ambientais por pontas de cigarros se dá em relação ao crescente número ao longo do tempo. Já foi possível identificar que o ano de 2022 já ultrapassou o número dos anos anteriores, correspondendo a aproximadamente 24% dos 116 artigos observados.

Além disso, foi possível observar os diferentes tipos de análises elaboradas nas pesquisas, sendo informações divulgadas por meio de diferentes áreas de estudo, sendo as principais:

(1) estudos sobre danos a biodiversidade, correspondendo a 29,2% das informações analisadas. O vocabulário apresentado nesta primeira área de estudo salienta informações sobre experimentos e métodos utilizados em relação aos efeitos de toxicidade das bitucas de cigarros em diversos organismos.

(2) estudos sobre políticas públicas, caracterizando 25,5% do total observado nas publicações. Onde os artigos avaliaram os meios de precaução e tomadas de medidas para redução dos impactos ambientais e o risco a saúde ocasionada pelo material.

(3) contaminação de bitucas em áreas públicas, com 24,3%. Nesta seção, as informações se baseiam sobre as implicações sociais e ambientais ocasionadas pelo descarte irregular de bitucas em áreas públicas, sendo boa parte das publicações desta sobre a quantificação das bitucas no meio ambiente.

(4) pesquisas sobre as características físicas e químicas das bitucas, enquadrando 21% de toda informação observada. Onde o conteúdo analisado identifica uma série de questões que salientam as estruturas, modificações físico-químicas e interações das propriedades das bitucas com ambiente.

A soma destas informações enfatiza que a contaminação ambiental por bitucas de cigarro está longe de ser algo restrito em apenas um tipo de pesquisa, ela deve se entrelaçar por diversas áreas para que tenhamos um maior conhecimento possível sobre este tipo de impacto e consequentemente sejam desenvolvidas melhores atuações para sua redução. Além disso, as contribuições fornecidas pelos estudos em diversos países podem auxiliar no debate sobre os danos causados pelas bitucas em nível global, podendo também compreender as necessidades e desenvolver alternativas mais eficazes.



[1] Araújo, M. C. B., Costa, M. F. (2007). Visual diagnosis of solid waste contamination of a tourist beach: Pernambuco, Brazil. Waste Management, 27, 833-839.

[2] Silva, N. F., Araújo, M. C. B., Silva-Cavalcanti, J. S. (2023). Cigarette butts in the environment: a growing global threat? Environmental Reviews. No prelo.


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