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Um incômodo que virou pesquisa sobre o efeito das bitucas de cigarro em organismos marinhos

Por Carla Torres, oceanógrafa formada pela UFSC, em 29/07/2020.


Oi pessoal! Me chamo Carla sou oceanógrafa formada pela UFSC e hoje vim aqui falar um pouco sobre o meu trabalho de conclusão de curso. Tudo começou com o meu incômodo em ver fumantes descartando bitucas de cigarro por todos os cantos, principalmente nas praias. A partir disso junto com a minha orientadora, Dra. Kalina Brauko, começamos a pesquisar diversos artigos para entender o conteúdo das bitucas de cigarro e qual seu efeito em organismos marinhos. 

As bitucas de cigarro são compostas por acetato de celulose, um polímero plástico que não se biodegrada e pode levar anos para sofrer fotodegradação. Além do mais, os filtros retém diversos compostos presentes no cigarro como o nicotina e metais. Os efeitos negativos gerados pelo consumo do cigarro são evidentes para a saúde humana, no entanto, poucos trabalhos são focados no resíduo do cigarro e qual o seu efeito em espécies aquáticas, principalmente marinhas, já que o filtro de cigarro é o item número 1 coletado em limpezas de praias. 

Para compreender os efeitos, resolvemos realizar um bioensaio com um bivalve bem comum de praias arenosas, o Donax hanleyanus (esse bonitinho aí da primeira imagem), e bitucas de cigarro, que foram deixadas em 1 litro de água do mar durante 24 horas, posteriormente diluídas em 7 concentrações, conforme a imagem 2. Além de observar a mortalidade dos indivíduos, também observamos o comportamento durante as 48 horas em que eles ficaram expostos ao contaminante. 

Imagem 01


Imagem 02


Os resultados foram bem alarmantes, visto que nas duas primeiras horas do experimento na concentração de 2,5 bitucas/L, todos os organismos testados morreram. A partir da concentração de 1,75 bitucas/L, os organismos já começaram a apresentar dificuldade de fechar a concha e de se enterrar (imagem 3). Esses efeitos em organismos que vivem na faixa de areia é bem grave, já que eles dependem destas funções para se esconder de predadores. Além dos efeitos já citados, foi observado a contração dos sifões (essa estrutura indicada pela seta: azul são os organismos saudáveis, e a seta vermelha são os organismos expostos, na imagem 4). O sifão também é utilizado para a alimentação e para a excreção. 

Imagem 03

Imagem 04


Portanto, esses organismos quando expostos a esse contaminante, ficam suscetíveis a danos em atividades vitais para eles. A exposição constante a esse contaminante pode causar efeitos negativos populacionais em grandes proporções. Faltam políticas públicas para o manejo e tratamento desse rejeito, que ainda não é classificado dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos como um resíduo tóxico.

Se você se interessou pelo trabalho e quiser ler a versão completa ela, fica disponível neste link:

https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/197548/tcc_CFT.pdf?sequence=1&isAllowed=y


#JuntosSomosMaisFortes

#PorUmMundoSemBitucas


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Site Institucional: https://www.mundosembitucas.com/

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