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O esgoto e a bituca, uma junção que está poluindo mais as nossas águas

Atualizado: 9 de Ago de 2019

Rubens Filho - 08/08/2019



Estamos na segunda metade de 2019, o ano está cada vez mais chegando ao seu ciclo final, e daqui menos de 4 meses, novamente, iniciamos outra jornada, com novas discussões, debates, reflexões, ações e planos. Todavia, se há algo que infelizmente ainda não se renova é o triste cenário do saneamento básico no país, sobretudo ao que concerne ao abastecimento de água e esgotamento sanitário (coleta e tratamento). Pela Lei 11.445 de 2007, fincou-se, de vez, a raiz de que saneamento básico ultrapassa os dois serviços mencionados, ao menos no Brasil, e que os serviços de resíduo sólidos e drenagem também estariam no mesmo pote do saneamento. Ainda que tudo se misture, de fato, é necessário fazer reflexões à parte de cada cenário. 

Voltando há quatro anos, em 2015, ainda no Governo Federal chefiado por Dilma Roussef, o Brasil assinou um compromisso internacional perante às Nações Unidas de que trabalharia incansavelmente no cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), similares aos antigos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos no ano de 2000 para metas em 2015. Dentre os 17 ODS propostos pela ONU, e acatados por diversos países, dentre eles, o nosso, está o 6 - Assegurar Água Potável e Saneamento para Todos; aqui, saneamento ganha a conotação internacional de sinônimo de "esgoto", e não o conjunto de quatro serviços proposto pela Lei brasileira de 2007. Em linhas gerais, assinar um compromisso internacional dessa magnitude soava pertinente e extremamente necessário, uma vez que os índices de abastecimento de água e coleta de esgoto no Brasil sempre foram pífios. Estamos em 2019, e ainda temos uma população equivalente ao do Canadá sem acesso à água potável (35 milhões) e duas vezes a população equivalente da Espanha sem acesso à coleta do esgoto (100 milhões), fazendo com que aproximadamente 5.600 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento sejam despejados na natureza constantemente. 

O crime está cometido. Ao não cumprir com as metas internacionais, tampouco as nacionais, o Brasil não garante bem-estar à população, e talvez pior: condena os próprios cidadãos a viverem em situações lastimáveis, propícias a geração de doenças. Esse é um dos primeiros e mais graves problemas. 

Pulamos esta etapa e analisamos a situação dos domicílios que são beneficiados com os acessos destas infraestruturas. Não há números oficiais que retratam, apenas conhecimento de causa, que milhares de residências brasileiras utilizam as redes de esgoto de maneira bem equivocada, até mesmo as interligando com a água da chuva, ocasionando problemas sérios na própria engenharia da coisa, e permitindo que, em épocas de alta precipitação, vide chuvas torrenciais acima do normal, a mesma água destinada para as redes de esgoto, ou vice-versa, retornem para a casa da pessoa em forma de doenças. Para dramatizar um pouco mais a realidade de alguns que possuem estas infraestruturas, muitas redes de esgoto são obstruídas por dezenas de empecilhos, dentre eles a famosa bituca de cigarro. Inofensiva, não? Este é o nosso pensamento ao olhar aquele toco de papel com tabaco largado em alguma via pública. O Planeta ainda não mudou, logo, as chuvas e o vento se encarregam de levar este pedaço pequeno - inofensivo - de papel com tabaco para redes públicas de água de chuva e/ou esgoto. E a mágica acontece sozinha. Basta dar um Google rapidamente e você verá que as bitucas de cigarro são responsáveis por mais da metade dos casos de entupimento das redes, ocasionando transtornos a mais para os operadores de água e esgoto, fazendo com que, às vezes, as redes sejam trocadas. E isso tudo volta para o cidadão, não no impacto social, mas financeiro. Ao trocar redes de esgoto sem necessidade, a famosa frase "alguém precisa pagar a conta" surge com força e se torna obrigatória, afinal, um bem coletivo não pode ficar inutilizado, correto?

Para concluir, uma outra curiosidade já levantada pelos próprios operadores de água e esgoto no Brasil, é que uma bituca na água, seja no mar, rio ou córrego, tem uma potência poluente equivalente a um litro de esgoto não tratado também despejado nos mesmo afluentes. Ou seja, além das mais de 5.600 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento despejados na natureza todos os dias, ainda há os 'bituqueiros' que contribuem maleficamente para a poluição das nossas águas com o simples gesto de descartar este pequeno objeto nas águas. 

O meio ambiente urge por transformações radicais, e isso para a nossa própria sobrevivência. Coletar e tratar esgoto são bens coletivos, que devem ser providos para todos(as), já o ato de descartar a bituca é individual, logo, é uma ação que depende mais de você do que de quem não fuma. Pense e repense, não temos água para toda vida em abundância, vamos poluir menos, sejamos mais conscientes.


Confira fonte da imagem em: https://bigpower96.wordpress.com/2014/08/28/3-cigarette-experiment/ (acesso em 02/08/2019).


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