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Já imaginou um Mundo SEM Bitucas?

Atualizado: Jul 21

Publicado no Blog Sou Resíduo Zero - Eccaplan em 05.06.2020.

Por Marina Teles com Natalia Zafra Goettlicher


Idealizadora do Mundo SEM Bitucas Natália Zafra Goettlicher conta sobre o seu trabalho e seu propósito. Em um mundo cheio de bitucas Natália mobiliza voluntários de vários estados do Brasil e articula com organizações de todas as partes do mundo para conscientizar cidadãos, principalmente fumantes, sobre os malefícios da poluição e degradação ambiental provocadas pelas bitucas de cigarro.


SRZ: Como surgiu o interesse pela temática das bitucas?

Natália: Nasceu do incômodo de ver a grande quantidade de bitucas de cigarros em ruas e calçadas da capital paulista. Tal incômodo foi reafirmado ao viajar para fora do Brasil e ver que o problema do descarte inadequado das bitucas de cigarro, pós-consumo do cigarro, também estava presente independente do país ser desenvolvido ou não. Por isso, o nome Mundo SEM Bitucas.

SRZ: Quais são as principais ações do MSB?

Natália: Hoje buscamos conscientizar fumantes e não fumantes sobre a problemática das bitucas de cigarro com oficinas educativas, palestras, mutirões de limpeza, intervenções artísticas e participação em eventos voltados à sustentabilidade. Agora na era do mundo digital também desenvolvemos conteúdos educativos e de advocacy em nossas redes sociais no Facebook e Instagram (@mundosembitucas), Blog MSB com produção e divulgação de textos de especialistas e pesquisadores na área; GT Bitucas que nasceu em parceria com a vereadora Soninha Francine dentro da Câmara dos Vereadores como forma de dialogar por melhores políticas públicas entre os setores envolvidos e, recentemente, produzimos a nossa primeira Live no Dia Mundial Sem Tabaco sobre “Tabagismo, Covid-19 e bitucas de cigarro” trazendo um lado mais de saúde e políticas públicas. 

Seminário Câmara dos Vereadores de São Paulo – 2019


SRZ: Quais os desafios de trabalhar com essa temática?

Natália: É uma temática bastante complexa diria, pois envolve diversas frentes. Isto é, quando fala-se de bitucas de cigarro falamos dos impactos socioambientais, mas também de políticas públicas, saúde pública e humana, saneamento, logística reversa, responsabilidade compartilhada, contrabando, sustentabilidade, educação para cidadania… É necessária muita articulação por se tratar de um tema relativamente novo e que ainda não é muito valorizado por todos como deveria

SRZ: Como são coletados os dados sobre a geração desses resíduos? Como as ações do MSB se relacionam com esses dados?

Natália: As atividades do MSB hoje estão mais estruturadas devido a parceria com a universidade e desenvolvendo melhores práticas frente a pesquisa participativa também conhecida como ciência cidadã. As atividades de coletas por meio da ajuda de voluntários entra neste contexto de ciência cidadã, a qual possui apoio de pessoas comuns (não pesquisadoras) na coleta de dados e posterior análise. Toda ação contabilizamos as bitucas e outros resíduos oriundos do ato de fumar em planilhas e publicamos os dados nas nossas redes sociais. Por exemplo, a campanha “Caça às Bitucas –  Montanha da Vergonha” de julho de 2019 foi estruturada para ser replicável em diversos pontos de coleta com ajuda de parceiros multiplicadores pelo Brasil a fora. Para isso, desenvolvemos um controle em um drive online, para dar acesso a todos e ser uma construção coletiva. 

Dados de 2019:

04 regiões do Brasil

05 países participantes

04 intervenções artísticas

05 oficinas de bituqueiras e bituconas

13 mutirões de limpezas realizados

215 voluntários participantes

65.725 bitucas de cigarros coletadas

Montanha da Vergonha – MASP – 2019


SRZ: Quais as motivações dos voluntários? Como esse engajamento traz mais visibilidade ao tema?E os fumantes? Como reagem em relação ao trabalho de vocês? Há espaço para educação ambiental com essas pessoas?

Natália: Com certeza, a educação ambiental está presente em todas nossas ações do MSB, ao participar das atividades, os voluntários relatam as suas percepções do antes e depois da ação. Gostamos de ao encerrar nossas atividades fazer uma roda de bate-papo para cada um contribuir de como foi a sua experiência, o que aprendeu e o que percebeu durante a ação. Muitos relatam que não tinham esta percepção da problemática das bitucas de cigarro no chão, pois elas são tão pequenas que na correria do dia a dia passam despercebidas e ao mesmo tempo não sabiam que haviam tantas no chão. Além de não saberem os impactos das bitucas no meio ambiente por exemplo. Sim, com o engajamento de mais pessoas e multiplicação das ações na rede aumenta-se a divulgação do tema. Entendemos que nossas ações de coleta como intervenção para chamar atenção do problema, de quem está ao redor vendo nossa atividade também. 

SRZ: Como é a articulação entre o MSB e as organizações anti-tabagistas e outras organizações internacionais que trabalham com a temática das bitucas?

Natália: Há uma articulação frequente entre as redes sociais tanto Facebook quanto Instagram. Um apoiando ao outro mais na frente de advocacy/ ativismo e como educadores ambientais. Tenho frequente contato com outros ativistas na causa em diferentes países, o que fortalece cada vez mais ações em rede tanto nacionalmente quanto internacionalmente.   Já a articulação com organizações antitabagistas é mais recente, pois a ideia do MSB é respeitar a escolha individual do fumante de querer fumar e reforçar a necessidade de que o descarte é algo mais coletivo, que não descartar no chão faz bem para ele e para todos não somente no âmbito ambiental, mas no âmbito econômico de reduzir os custos com varrição pública, entupimento de tubulações etc…

Ação Mundo SEM Bitucas em parceria do Meu Copo Eco em Santos – 2019


SRZ: Qual a sensação de trazer a tona esse tema tão importante? 

Natália: A sensação é de missão de trazer visibilidade ao assunto, contribuir para o atingimento das ODS – Agenda 2030 – cocriação de cidades voltadas para o desenvolvimento sustentável de verdade. Tendo em vista,  o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS): 05 – Água Limpa e Saneamento; 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis; 12 – Consumo Responsável; 14 – Vida Debaixo da água; 15 – Vida sobre a Terra e  17 – Parcerias pelas Metas.   

Saiba mais sobre o projeto Mundo SEM Bitucas pelos links a seguir:

Site Institucional: https://www.mundosembitucas.com/

Blog MSB: https://www.mundosembitucas.com/blog

Facebook: https://www.facebook.com/mundosembitucas/

Instagram: https://www.instagram.com/mundosembitucas/


Natália Zafra é idealizadora do Mundo SEM Bitucas, formada em Administração pela UNICAMP, Designer para Sustentabilidade pelo Gaia Education, pós-graduada em Gestão Estratégica da Sustentabilidade pela FIA e mestranda em Saúde, Ambiente e Sustentabilidade pela Faculdade de Saúde Pública – USP.    Foi líder Parque Trianon-Masp no Dia Mundial da Limpeza SP 2019; multiplicadora da campanha internacional “Montanha da Vergonha 2019” no Brasil; coordenadora da Semana Lixo Zero Rio 2017; empreendedora semi-finalista Shell Iniciativa Jovem 2017 e Baanko Challenge Rio 2016. Além de atuação em diferentes áreas de grandes empresas, tendo como seu último cargo corporativo em 2017 como analista de Sustentabilidade no setor de energia elétrica.  


Saiba mais também sobre o Movimento Sou Resíduo Zero e como ter uma relação melhor com todos os resíduos seja em casa ou na empresa.

Acesse a matéria original: https://souresiduozero.com.br/2020/06/ja-imaginou-um-mundo-sem-bitucas/

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