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BITUCAS DE CIGARRO: UM PROBLEMA GLOBAL CRESCENTE?

Por Nirhvana Felipe – Bacharel em Ciências Biológicas ênfase em Ambientais (UFPE) e mestranda do Programa de Pós Graduação em Biodiversidade (UFRPE).


Figura 1. Distribuição mundial de artigos publicados sobre a contaminação ambiental por bitucas de cigarro, por meio de: Silva, N. F., Araújo, M. C. B., Silva-Cavalcanti, J. S. (2023). Fonte: Nirhvana Felipe (2022).


Atualmente já possível obter informações sobre os impactos à saúde que os cigarros ocasionam, entretanto, o resíduo deste material (as bitucas de cigarro) ainda é negligenciado. Inicialmente estas bitucas foram criadas com intuito de realizar a filtração como medida de redução de danos, porém além de dar a falsa sensação de segurança, também acarreta o acúmulo deste material em áreas públicas. Regiões com grandes concentrações de pessoas podem apresentar um número mais elevado de bitucas [1], e essa quantidade pode gerar danos para biodiversidade onde este material se encontra de forma irregular.

Por apresentar uma elevada quantidade de bitucas em diversas regiões (principalmente em ambientes marinhos) e ser um contaminante tóxico, as pesquisas em relação a este material estão crescendo cada vez mais. Até junho de 2022, foram identificadas 116 publicações sobre impactos ambientais por bitucas de cigarro [2]. Estas publicações foram extraídas de cinco plataformas eletrônicas: Google Scholar, Scopus, PubMed, ScienceDirect e SpringerLink, com aplicação das palavras-chave cigarette butt e cigarette filter durante as buscas, com coletas de artigos somente em inglês. Sobre a triagem para seleção dos artigos, foram adotados alguns critérios como: (I) retirada dos artigos duplicados; (II) seleção apenas de publicações que se enquadravam com o objetivo e finalidade do estudo (bitucas e seus impactos no meio ambiente); e (III) inclusão somente de artigos, sem incluir anais, resumos de congresso, editoriais e capítulos de livros.

O local com maior número de artigos sobre poluição ambiental por pontas de cigarro foram os Estados Unidos (Figura 1). Além disso, outros 23 países também divulgaram com informações sobre impactos de bitucas no meio ambiente, sendo eles em ordem crescente: Irã, Itália, Brasil, França, Espanha, Malásia, Austrália, Reino Unido, Grécia, Índia, Alemanha, Nigéria, Turquia, México, Taiwan, Chipre, África do Sul, Finlândia, Lituânia, China, Coréia do Sul, Rússia e Nova Zelândia. Somente no Brasil foram publicados 16 artigos onde a maioria das publicações se concentram em áreas costeiras com informações sobre os números de bitucas no Nordeste e Sudeste do país. Outra questão sobre os estudos de impactos ambientais por pontas de cigarros se dá em relação ao crescente número ao longo do tempo. Já foi possível identificar que o ano de 2022 já ultrapassou o número dos anos anteriores, correspondendo a aproximadamente 24% dos 116 artigos observados.

Além disso, foi possível observar os diferentes tipos de análises elaboradas nas pesquisas, sendo informações divulgadas por meio de diferentes áreas de estudo, sendo as principais:

(1) estudos sobre danos a biodiversidade, correspondendo a 29,2% das informações analisadas. O vocabulário apresentado nesta primeira área de estudo salienta informações sobre experimentos e métodos utilizados em relação aos efeitos de toxicidade das bitucas de cigarros em diversos organismos.

(2) estudos sobre políticas públicas, caracterizando 25,5% do total observado nas publicações. Onde os artigos avaliaram os meios de precaução e tomadas de medidas para redução dos impactos ambientais e o risco a saúde ocasionada pelo material.

(3) contaminação de bitucas em áreas públicas, com 24,3%. Nesta seção, as informações se baseiam sobre as implicações sociais e ambientais ocasionadas pelo descarte irregular de bitucas em áreas públicas, sendo boa parte das publicações desta sobre a quantificação das bitucas no meio ambiente.

(4) pesquisas sobre as características físicas e químicas das bitucas, enquadrando 21% de toda informação observada. Onde o conteúdo analisado identifica uma série de questões que salientam as estruturas, modificações físico-químicas e interações das propriedades das bitucas com ambiente.

A soma destas informações enfatiza que a contaminação ambiental por bitucas de cigarro está longe de ser algo restrito em apenas um tipo de pesquisa, ela deve se entrelaçar por diversas áreas para que tenhamos um maior conhecimento possível sobre este tipo de impacto e consequentemente sejam desenvolvidas melhores atuações para sua redução. Além disso, as contribuições fornecidas pelos estudos em diversos países podem auxiliar no debate sobre os danos causados pelas bitucas em nível global, podendo também compreender as necessidades e desenvolver alternativas mais eficazes.



[1] Araújo, M. C. B., Costa, M. F. (2007). Visual diagnosis of solid waste contamination of a tourist beach: Pernambuco, Brazil. Waste Management, 27, 833-839.

[2] Silva, N. F., Araújo, M. C. B., Silva-Cavalcanti, J. S. (2023). Cigarette butts in the environment: a growing global threat? Environmental Reviews. No prelo.


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